Hospital referência em trauma em Pernambuco preocupado com gravidade dos acidentes com motos

Foto: Edmar Melo/ Acervo JC Imagem
De janeiro a junho de 2020, o Hospital Miguel Arraes recebeu 409 notificações de entradas de pacientes vítimas de acidentes com motos – FOTO: Foto: Edmar Melo/ Acervo JC Imagem
Comércio e escolas fechados e menos veículos nas ruas. Este foi o cenário em diversas cidades do Estado durante os meses de quarentena mais rígida, devido à pandemia do novo coronavírus. O que este período também representou foi a queda no número de vítimas de acidentes envolvendo motociclistas. No Hospital Miguel Arraes, que fica em Paulista, no Grande Recife, referência no tratamento de traumas, em abril, maio e junho, houve uma redução de 13,53% no número de registros, comparado ao mesmo período de 2019. Nesta segunda-feira (27), quando é comemorado o dia do motociclista, no entanto, o alerta para este tipo de ocorrência reacende: com a reabertura das atividades econômicas, e o consequente aumento no fluxo de veículos nas ruas, a unidade hospital voltou a registrar acidentes com lesões mais graves.

“O que prevaleceu durante os últimos meses foi a quantidade diminuída de acidentes. Eles continuaram ocorrendo, mas em um volume bastante reduzido, assim também como a gravidade das lesões, que foi muito menor. O que nos impressionou desde o início do mês de julho foi a quantidade de lesão voltar ao tipo pré-pandemia”, alertou o médico Francisco Couto, coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HMA. De janeiro a junho de 2020, o Hospital Miguel Arraes recebeu 409 notificações de entradas de pacientes vítimas de acidentes com motos. De acordo com a unidade, com a queda no número de acidentes, entre os meses de abril e junho, a média de registros foi de 85,6, contra a média de janeiro, fevereiro e março, que foi de 111,3.

Já nos primeiros 20 dias de julho, o número de registro de vítimas de acidentes com motos foi de 57, enquanto a enfermaria do setor de ortopedia, que atende todos os tipos de pacientes, não apenas os de acidentes de moto, está lotada. Francisco Couto comenta que a gravidade dos ferimentos e traumas dos motociclistas variam de acordo com vários fatores, incluindo como foi o acidente, a velocidade e se o paciente estava ou não fazendo uso de itens de proteção, como capacete, cotoveleira e calçado apropriado. “Nos pacientes alcoolizados, sem habilitação, geralmente a gravidade da lesão é maior. Por isso a importância de proteção, principalmente no pé. Às vezes a lesão seria mais tranquila, mas tem perda cutânea (de partes da pele), aí tem que fazer transplantes, retalhos. Isso aumenta a quantidade de procedimentos e as complicações”, acrescenta o médico.

Dados mais recentes do Sistema de Informação sobre Acidentes de Transporte Terrestre (SINATT), divulgados pelo Governo de Pernambuco, mostram que nas 17 unidades sentinelas (o Hospital Miguel Arraes é uma delas), em 2019, foram registrados 38.731 acidentes de transporte terrestre, dos quais 27.746 foram envolvendo motocicletas. O número representa 71,6% das ocorrências. A média foi um pouco menor do que os dados de 2018, quando os acidentes com moto representaram 72,2% do total de ocorrências. Já em relação ao número de óbitos, os dados mais recentes, de 2018, mostram que 1.582 pessoas morreram em acidentes, e 49,2% das vítimas eram motociclistas.

Como forma de alertar sobre os riscos e de lembrar o dia do motociclista, o Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) realizou, na manhã desta segunda, na Avenida Agamenon Magalhães, no bairro de Santo Amaro, na área Central do Recife, uma entrega de máscaras e álcool 70%. Na ocasião, agentes de trânsito também orientaram os condutores para os cuidados necessários para evitar a transmissão do novo coronavírus.

FONTE: JC

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