Risco de saúde: Infestação de caracóis preocupa moradores de Paulista

Foto: Folha de Pernambuco

Via Folha de Pernambuco

A incidência de chuvas, acúmulo de lixo e vegetação desordenada são alguns dos fatores que contribuem na proliferação de caracóis, também chamados caramujos gigantes africanos. Apesar do susto que os moradores do Janga, em Paulista, tiveram com a infestação da espécie em algumas residências, a Vigilância Sanitária afirma que a grande quantidade registrada é um caso atípico, mas preocupante porque, no contato das pessoas com o animal, de forma direta ou indireta, há o risco de transmissão de meningite eosinofílica. 

O médico infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz Diego Guedes explica que o caramujo gigante africano – que, por ser terrestre, o correto é chamar de caracol – é hospedeiro intermediário do verme chamado Angiostrongylus cantonensis, que transmite a doença.

“Existem outros hospedeiros intermediários como algumas lesmas, crustáceos e sapos, por exemplo. Os ratos são os hospedeiros definitivos, ou seja, eles carregam o verme e perpetuam o ciclo dele na natureza. Por isso, os pontos de acumulação de lixo e terrenos baldios são locais importantes na transmissão desse verme, pois muitas vezes há a presença dos ratos e dos caracóis juntos. Os ratos excretam vermes pelas fezes e os caracóis ingerem esses excrementos contaminados”, explica Diego Em Pernambuco, já há casos registrados de meningite eosinofílica, cuja origem foi através do caracol. 

De acordo com o coordenador de zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Francisco Duarte, esse tipo de meningite é rara. “Nós trabalhamos em conjunto com os municípios. A partir da confirmação de eosinofílica, o município faz uma coleta ambiental dos espécimes desses caracóis para que seja feita uma análise no Labend (Laboratório de Endemias) e a SES envia esse material para a Fio Cruz. Recebido o resultado, nós encaminhamos para o município e atuamos nesse monitoramento”, explicou Duarte.

O controle dessa população de caracóis pode ser feito através de um veneno específico, como tem sido aplicado pela Vigilância Sanitária nas ocorrências, ou ainda quebrando ou enterrando a concha. Neste caso, é necessário proteger as mãos com luvas ou saco plástico para não ter contato com os animais.

Os sintomas da meningite eosinofílica podem aparecer em alguns dias após a contaminação. Geralmente há forte dor de cabeça, febre, vômitos e fraqueza, e algumas vezes distúrbios visuais. Guedes ressalta que nem todos que tiveram contato com os caracóis terão meningite.

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