Pernambuco tem primeiro Dia Estadual de Combate ao Feminicídio

Foto: Politize

Via G1 Pernambuco

Há exatamente um ano, o assassinato da fisioterapeuta Mirella Sena em um flat na Zona Sul do Recife transformou, em Pernambuco, o olhar da sociedade civil e do poder público a respeito de crimes ligados a questões de gênero. A data, 5 de abril, passou a ser o Dia Estadual de Combate ao Feminícidio.

O crime trouxe, sem dúvidas, a tristeza devido à perda da filha, da amiga e da profissional, mas, sobretudo, deu gás ao combate à violência contra a mulher. A forma da qual o homicídio foi cometido, com golpes de faca na vítima precedidos de abuso sexual, expandiu o luto pela perda da jovem de 28 anos.

A dor da perda saiu do núcleo familiar e foi dividida por amigos, colegas de trabalho e por quem acompanhou protestos e mobilizações para que o caso não se tornasse mais um em meio às estatísticas, já que a vítima não admitia a violência contra a mulher, segundo a mãe. 

Passeatashomenagens e crimes cometidos em Pernambuco cujas vítimas foram mulheres serviram para trazer novamente à tona assassinato de Mirella. Diante da repercussão do caso, o termo “crime passional” deixou os boletins de ocorrência quase cinco meses após a morte de Mirella. Desde então, tem sido adotada a palavra “feminicídio”, considerado crime hediondo desde 2015, para apontar o assassinato de vítimas pelo fato de elas serem mulheres.

“O crime passional remete a excesso de amor. Nesse caso, quando o caso ia para júri, os advogados de defesa alegavam que o réu matou porque amava demais. Perdeu a cabeça. Na verdade, o feminicídio é um crime de ódio, cometido por achar que a mulher é um objeto dele, uma propriedade dele, ele acha que a vida dela também é de posse dele. Não tem justificativa para isso”, explica a gestora do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco, Gleide Angelo.

Mirella como símbolo    

 
Pernambuco tem primeiro Dia Estadual de Combate ao Feminicídio

Pernambuco tem primeiro Dia Estadual de Combate ao Feminicídio

A data do assassinato de Mirella também trouxe um novo significado ao dia 5 de abril, que passou a ser, após um decreto em novembro, Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. As mortes de Giselly Kelly, assassinada em um apartamento na Zona Norte do Recife em julho de 2017, e Remís Carla Costa, morta pelo namorado no mesmo ano, endossaram a necessidade de atenção e reforço à luta contra esse tipo de violência.

Esses três casos estão entre os 76 que foram considerados feminicídios cometidos em Pernambuco em 2018, num universo de 318 mulheres mortas ao longo do ano. “A maior parte desses crimes não nos dá dificuldade para adquirir provas. Muitos deles são presos em flagrante e muitos continuam presos até o júri”, afirma a delegada.

Para os pais de Mirella, as recentes mudanças eram uma causa defendida pela filha ao longo de sua vida e, agora, serão passadas adiante. “O nosso desejo é o desejo dela, até o final das nossas vidas vamos lutar contra esse tipo de barbaridade”, afirmou Wilson Araújo.

Polícia encoraja denúncias

 
Mulheres se mobilizam no Dia de Combate ao Feminicídio em Pernambuco

Mulheres se mobilizam no Dia de Combate ao Feminicídio em Pernambuco

Para que as ameaças verbais e agressões físicas sofridas por mulheres não resultem em feminicídio, a Polícia Civil incentiva a formalização de denúncias, antes mesmo de as agressões iniciarem. ”Dos 33 mil BOs que tivemos ano passado, 52% foram de ameaça e injúria, o que significa que a mulher está mais consciente, procurando a polícia antes de ser agredida”, afirma Gleide Angelo. 

Em algumas situações, o medo de não ter para onde ir impede a procura por ajuda, mas, segundo a delegada, há meios para ajudar a vítima. “Se ela tiver um outro local seguro para ir, a polícia leva. Se não tiver, existem abrigos. Quando existe a medida protetiva, o agressor é retirado do lar e, caso descumpra, vai preso”, alega.

Lançada no dia 8 de março pela Secretaria da Mulher do Recife, a Patrulha Maria da Penha, feita pela Guarda Municipal, busca monitorar essas mulheres. “Eles atuam para saber se está tudo bem, se o agressor está importunando. Também existe o número 190, que dá prioridade para casos de abuso inclusive em relação a homicídios”, salienta Gleide Angelo.

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