Homem morre após enchente em Paulista

O muro da casa de José Abílio foi destruído pela enchente

A rua Maria Ivete Lopes, no bairro de Paratibe, em Paulista foi devastada pelas chuvas que atingiram a cidade nas duas últimas semanas. Várias famílias tiveram as casas invadidas pela água. Algumas perderam móveis, roupas e demonstram medo diante das próximas chuvas e do risco de algo pior acontecer.

O caso mais grave entre os moradores da rua foi do aposentado Noel Pereira de 53 anos. Ele morreu na última quarta-feira, vítima de leptospirose, doença transmitida pela urina do rato, após ter contato com a água das chuvas das últimas semanas. Próximo a casa do senhor Noel, há um canal de esgoto, repleto de lixo e lama, com as fortes chuvas, o canal facilmente transborda. A água contaminada com lixo, bactérias e a urina dos ratos se mistura com a chuva e invade as casas das pessoas.

O canal localizado na rua sempre transborda quando chove

” Eu perdi tudo. Tem quinze dias que o muro da minha casa foi derrubado pelas chuvas. Não veio ninguém da prefeitura, nem da Defesa Civil ajudar. Minha casa fica exposta, com risco de entrar alguém. Após a inauguração do Mercado Público a situação ficou ainda mais difícil, porque agora a água vem muito mais forte” lamenta o eletricista José Basílio de Goís, de 54 anos. Para conseguir entrar na casa novamente foi preciso retirar 6 carros de mão repletos de lixo, que vieram com a enchente.

O Mercado Público de Paratibe alterou o relevo do local

De acordo com alguns moradores, antes da reforma para a inauguração do Mercado Público de Paratibe, o local era vazio e muito fundo, o que amenizava os impactos das chuvas nas ocasiões de enchentes. A falta de coleta de lixo também foi criticada. Uma das moradoras que preferiu não se identificar disse que a coleta chega a ser realizada apenas uma vez por semana. O lixo acumulado atrai os ratos, mosquitos que transmitem doenças e bactérias. 

A família da doméstica Natalie Domingos também foi seriamente afetada. Ela já havia subido o batente das escadas para impedir o avanço das águas e construído uma pequena base de tijolos para amenizar os impactos negativos da chuva. ” A água chegou até a metade da parede. Ficamos tentando jogar a água para fora com os baldes. Essa não é a primeira vez que isso acontece. Sempre quando chove alaga tudo e fica nesse desespero” explicou Hugo Domingos, irmão mais novo de Natalie.

A chegou aos joelhos na casa de Natalie

O desespero da comunidade é notório e totalmente compreensível ao verem suas casas destruídas, móveis danificados e perderem familiares vítima da falta de higiene, consciência e limpeza do local. Se trata de uma extrema falta de humanidade e princípios éticos que duas semanas depois de tantas tragédias nenhum morador entrevistado tenha visto um representante da prefeitura sequer. E um estudo sobre os impactos do Mercado Público na região foi feito ? E o canal que sempre transborda ? Não irão fazer nada ? Ou vão esperar a próxima casa cair por conta das chuvas ou o próximo morador adoecer devido ao lixo e água contaminada espalhada pela rua.

Várias poças de água parada com lama estão espalhadas pela rua

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