DE BOLSO CHEIO: Comércio informal aproveita a folia para faturar.

Com 12,7 milhões de desempregados no País, o período carnavalesco é o momento para quem busca renda extra

Com um contingente de 12,7 milhões de desempregados no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quarta-feira (27) pelo IBGE, a chegada do Carnaval pode ser o momento perfeito para quem pretende aproveitar o período para faturar. Afinal, o País tem 35,2 milhões de pessoas na informalidade (trabalhando por conta própria ou sem carteira assinada) e, para eles, descansar ou cair na folia não parece uma boa opção. 

Pesquisa da Fecomércio-PE em parceria com o Sebrae constatou que um em cada quatro (23,5%) entrevistados deve aproveitar a folia para faturar no Carnaval local. “A pesquisa mostrou que grande parte está buscando renda extra, mesmo em uma época para brincar ou relaxar. Isso significa orçamento apertado e que há um movimento para sair do aperto”, analisa o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos

Ainda de acordo com a pesquisa, entre os segmentos mais aquecidos no período estão os ligados à alimentação, bebidas, vestuário, transportes e reciclagem. “Para se ter noção da importância da data, o Carnaval é a época do ano em que os catadores conseguem tirar o seu 13º salário. É o Natal deles. No período, o ganho com as vendas das latinhas pode chegar a R$ 1 mil”, revela o presidente da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), Sérgio Nascimento

 Segundo ele, cerca de 8 mil pessoas trabalham como catadores no Estado. Se para os catadores, a época é de conseguir o 13º salário, para os motoristas de aplicativos é ainda melhor. “A gente fala que quem vai aproveitar o Carnaval para trabalhar pode garantir o 14º salário, pois o movimento é sempre muito bom”, revela o líder dos motoristas de aplicativos do Estado, Thiago Silva.

Da mesma forma, os taxistas também são beneficiados com o aumento da procura. “Estamos bastante otimistas, afinal, nessa época conseguimos aumentar em quase 60% o faturamento em relação ao dia normal”, explica o vice-presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Gilvan Andrade, que revela que quase 80% da frota de táxi deve rodar no período.

É o que vai fazer por mais um Carnaval o motorista de táxi Carlos Alberto, 64 anos, que trabalha com foco em atender os turistas que circulam pela cidade. “Eu procuro aplicativos de tradutores de idiomas para o caso de pegar algum turista estrangeiro”, afirma o taxista.

Carregador e coordenador de bonecos gigantes, Rodrigo Soares aproveitará o Carnaval para incrementar a sua renda e a do seu grupo de manipuladores, de cerca de 150 pessoas. “A gente trabalha para dar alegria a todo mundo que está na folia e a nossa expectativa está muito boa para este ano, com bons ganhos no período”, afirma.

Enquanto há os que utilizam o período carnavalesco para aumentar os ganhos, o Carnaval é também oportunidade para quem não tem emprego formal poder faturar, ainda que na informalidade. É o que ocorre há dez anos com a comerciante de lanches e bebidas Célia Lopes, 48 anos. “Eu passei todo o ano desde o último Carnaval juntando dinheiro, fazendo investimento para poder trabalhar agora e espero ter lucro para pagar algumas dívidas e comprar alguma coisa que precise em casa”, revela.

O educador financeiro Arthur Lemos lembra que a quem vai trabalhar na folia que é necessário contabilizar todos os gastos envolvidos. “A dica é registrar todos os gastos relacionados à atividade desempenhada e verificar se há lucro”, conclui Lemos.

FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO

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